quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Capítulo 3 - O empresário

- Não tenho tempo para isso, Dona Fátima, não posso ficar indo em todas as reuniões da empresa. - Dizia André que mal havia assumido os negócios depois da morte de seu pai e sentia como se anos já tivessem se passado.
- Mas, Sr. André, a reunião coos investidores japoneses é extremamente importante, a empresa precisa de credibilidade internacional agora, e nesse momento sua presença é muito necessária. - Insistia a secretária Fátima, que agora mais assumia o papel de babá depois de mais de 30 anos na empresa naquele cargo. Enqaunto André passava ferozmente pelas portas do escritório da sede publicitária da empresa, a secretária se contorcia para escapar do fechamento das portas levando consigo centenas de documentos e pastas, que André evitava ter que parar para ler e assinar tudo. Por vezes sua medalhinha de Nossa Senhora rodava pelo seu pescoço e quem olhava tinha a sensação que ela seria enforaca pela corrente que enrroscava em seus cabelos e ela tinha que fazer marabalismo com as mãos ocupadas para ela voltar ao lugar, por vezes até acabava por  morder a imagem da santa.
Hora ou outra ela acabava vencendo André pelo cansaço e conseguia que ele fizesse o que era necessário, o burocrático da empresa. Ele sabia que era preciso, passou a vida ouvindo do pai, que centralizava todos os assuntos do conglomerado de forma metódica, ele dizia que nos assuntos importantes não podia colocar outra pessoa no lugar dele mesmo. O argumento da secretária sobre o que o pai pensaria, a lembrança amarga que isso causava sempre era suficiente, quase que o último ponto da luta entre empregada e patrão. andré se esforçava para não chegar ao ponto da secretária tocar nesse assunto, então estava cedendo com mais facilidade.
- Dona Fátima, como a senhora consegue ser tão insistente? Sempre me vence pelo cansaço, não é mesmo? - André se rendia, meio impaciente, mas bem-humorado, ela também conseguia causar uma boa sensação nele que não entendia, boas energias, talvez.
- Ah, Seu André, o senhor nunca vai ser mãe viúva pra saber como é, mãe e avó. E sou muito temente a Deus. Creio que é só plantando as coisas que conseguimos colher e eu não quero perder meu emprego não, quero poder me aposentar um dia com meu dever cumprido. Não vou largar um minuto do seu pé, nada vai acontecer com a empresa do seu pai, nunca vou deixar.
André sorria e Fátima ficava zangada achando que o jovem empresário zombava dela. Ele dizia que ela era demais e ela ficava emcabulada mas contente com a sensação de alívio de que tudo agora estava resolvido e ela poderia sentar e tomar seu café.
André que ainda não tinha almoçado, conversou rapidamente com alguns diretores e saiu para ir a um restaurante. Costumava escapar no meio da tarde quando ainda era estagiário para se encontrar com Laura, como tinham sido bons aqueles tempos, sem grandes responsabilidades, a vida era tão mais fácil e menos solitária, tão mais divertida.
Pensava em como Laura sofreu nos últimos anos que enfrentou seu câncer. Ele também sofreu com muito. Perdido em seus pensamentos não reparou num carro que vinha em alta velocidade e parou em sua frente.
Dois homens encapuzados desceram, o acertaram e o levaram. O carro cantou pneus e em pouco tempo estavam longe dali.
Quando André despertou ele estava amarrado em uma cadeira de ferro, num quarto escuro, apenas luzes de velas aos cantos e a sombra de homens que não conseguia enxergar direito.
- Não sei se sabem mas não tenho ninguém por mim, ninguém autorizado a pegar dinheiro em meu nome, não tenho parentes vivos. Nem meu contador pode fazer transações de alto valor. Portanto se isso é um sequestro, terá que ser eu mesmo a pagar meu resgate... - André tentava argumentar até ser interrompido por uma voz forte:
- Não procuramos por dinheiro.Procuramos por um artefato que era de posse do seu pai. É um cálice de ouro que pertenceu a nossa família. Veja, não queremos machucá-lo, você será solto muito em breve, só queremos que colabore conosco. Seu pai fazia parte da nossa organização e gostaríamos que você o substituísse. Ele era conhecido como "o Empresário", achamso que funcionará bem pra você também.
Agora veja bem Empresário, se não agir como dissermos, prometemos que nosso próximo encontro não será tão amistoso assim. mas se fizer tudo direitinho, seremos bons amigos. O que escolhe?
- Bom, nunca me neguei a fazer novas amizades, mas gostaria muito de saber mais...
- O que precisa saber é que esse cálice é um objeto antigo, de família, mas seu valor em ouro é muito pequeno, não precisaria nem acionar seu seguro se fosse asaltado. Você só precisa encontrá-lo. Quando tiver feito isso leve ele para seu escritório central que saberemos que está com ele e entraremos em contato de uma forma mais suave... Você entendeu, Empresário? - Questionou a sombra.
- Entendi sim... - Respondeu André, totalmente inerte com a situação
- Ótimo, então agora, tenha bons sonhos... - Disse o capanga enquanto outro dava uma injeção no pescoço de André qeu adormeceu até acordar no jardim de sua casa.

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